domingo, 2 de julho de 2017

São Pedro e São Paulo, ressoaram o Evangelho

A liturgia comemora São Pedro e São Paulo, os dois grandes Apóstolos da primeira comunidade cristã, como mestres e confessores da fé. Esta solenidade é uma das mais antigas da Igreja, sendo anterior até mesmo à comemoração do Natal. Já no século IV havia a tradição de, neste dia, celebrar três missas: a primeira na basílica de São Pedro, no Vaticano; a segunda na basílica de São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos apóstolos ficaram escondidas para fugir da profanação nos tempos difíceis.
E mais: depois da Virgem Santíssima e de são João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas no ano litúrgico. Além do tradicional 29 de junho, há: 25 de janeiro, quando celebramos a conversão de São Paulo; 22 de fevereiro, quando temos a festa da cátedra de São Pedro; e 18 de novembro, reservado à dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo.
O Papa Bento XVI apresenta Pedro e Paulo como “fundamentos da Igreja”: “Os dois Santos padroeiros de Roma, mesmo tendo recebido de Deus carismas e missões diferentes, são ambos fundamentos da Igreja una, santa, católica e apostólica, permanentemente aperta à dinâmica missionária e ecuménica”.
Antigamente, julgava-se que o martírio dos dois apóstolos tinha ocorrido no mesmo dia e ano e que seria a data que hoje comemoramos. Porém o martírio de ambos deve ter ocorrido em ocasiões diferentes, com são Pedro, crucificado de cabeça para baixo, na colina Vaticana e são Paulo, decapitado, nas chamadas Três Fontes. Mas não há certeza quanto ao dia, nem quanto ao ano desses martírios.

A morte de Pedro poderia ter ocorrido em 64, ano em que milhares de cristãos foram sacrificados após o incêndio de Roma, enquanto a de Paulo, no ano 67. Mas com certeza o martírio deles aconteceu em Roma, durante a perseguição de Nero.
Há outras raízes ainda envolvendo a data. A festa seria a cristianização de um culto pagão a Remo e Rômulo, os mitológicos fundadores pagãos de Roma. São Pedro e são Paulo não fundaram a cidade, mas são considerados os “Pais de Roma”. Embora não tenham sido os primeiros a pregar na capital do império, com seu sangue “fundaram” a Roma cristã. Os dois são considerados os pilares que sustentam a Igreja tanto por sua fé e pregação como pelo ardor e zelo missionários, sendo glorificados com a coroa do martírio, no final, como testemunhas do Mestre.
São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro papa da Igreja. A ele Jesus disse: “Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja”. São Pedro é o pastor do rebanho santo, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.
São Paulo, que foi arrebatado para o colégio apostólico de Jesus Cristo na estrada de Damasco, como o instrumento eleito para levar o seu nome diante dos povos, é o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos, o “Apóstolo dos Gentios”.
São Pedro e são Paulo, juntos, fizeram ressoar a mensagem do Evangelho no mundo inteiro e o farão para todo o sempre, porque assim quer o Mestre.
fonte: http://ffb.org.br

ANGELUS: “O MISSIONÁRIO NÃO LEVE A SI MESMO, MAS JESUS!”


CIDADE DO VATICANO – “A condição do discípulo exige uma relação prioritária com o mestre”, um vínculo de amor que faz com que este seja “um representante dele, um “embaixador” dele, sobretudo com o modo de ser, de viver”.
Ao dirigir-se aos milhares de peregrinos e turistas reunidos na Praça São Pedro para o Angelus dominical, o Papa destacou “os aspectos essenciais para a vida dos discípulos missionários”.
Para tal, Francisco inspirou sua reflexão no capítulo 10 do Evangelho de São Mateus, onde  “Jesus instrui os doze apóstolos no momento em que, pela primeira vez, os envia em missão aos povoados da Galileia e da Judéia”.
O Papa observa que na parte final da passagem, Jesus sublinha dois aspectos essenciais para a vida do discípulo missionário:
“O primeiro, que a sua ligação com Jesus seja mais forte do que qualquer outra ligação; o segundo, que o missionário não leve a si mesmo, mas Jesus, e por meio d’Ele, o amor do Pai celeste. Estes dois aspectos estão ligados, porque quanto mais Jesus está no centro do coração e da vida do discípulo, mais este discípulo é “transparente” a sua presença. Estas duas coisas caminham juntas”.
O Papa explica que quando Jesus diz que “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim”, não quer dizer que isto não seja  bom e legítimo, que “Ele nos queira sem coração e privados de reconhecimento”, mas que isto “não pode se antepor a Cristo”, “porque a condição do discípulo exige uma relação prioritária com o mestre”, tornando-se um com Ele:
“Quem se deixa atrair por este vínculo de amor e de vida com o Senhor Jesus torna-se um representante seu, um “embaixador” seu, sobretudo com o modo de ser, de viver. A tal ponto, que Jesus mesmo, enviando os discípulos em missão, diz a eles: “Quem vos recebe, a mim recebe. E quem me recebe, recebe aquele que me enviou””.
Assim – prossegue o Papa – “é necessário  que as pessoas possam perceber que para aquele discípulo, Jesus é realmente “o Senhor”, é realmente o centro, o tudo da vida. Não importa se depois, como toda pessoa humana, tenha os seus limites e também os seus erros – desde que tenha a humildade de reconhecê-los; o importante é que não tenha o coração duplo, isto é perigoso”, adverte Francisco. “Sou cristão, sou discípulo de Jesus, sou sacerdote, sou bispo, mas tenho um coração duplo. Não, isto não está certo”.
“Não se deve ter um coração duplo – alerta Francisco –  mas um coração simples, unido; que não tenha o pé em dois calçados, mas seja honesto consigo mesmo e com os outros”:
“A duplicidade não é cristã. Por isto Jesus reza ao Pai para que os discípulos não caiam no espírito do mundo. Ou estás com Jesus, com o espírito de Jesus, ou estás com o espírito do mundo”.
Nisto o Papa ressalta que “a experiência de sacerdotes nos ensina uma coisa muito bonita e uma coisa muito importante: é justamente esta acolhida do santo povo fiel de Deus, é justamente o “copo de água fresca” – do qual fala hoje o Evangelho – dado com fé afetuosa, que te ajuda a ser um bom padre:
“Há uma reciprocidade também na missão: se tu deixas tudo por Jesus, as pessoas reconhecem em ti o Senhor; mas ao mesmo tempo te ajuda a te converteres cada dia a Ele, a te renovar e purificar dos pactos e a superar as tentações. Quanto mais um sacerdote é próximo ao povo de Deus, tanto mais se sentirá próximo a Jesus. E quanto mais um sacerdote é próximo a Jesus, tanto mais se sentirá próximo ao povo de Deus”.
“A Virgem Maria – concluiu o Papa – experimentou em primeira pessoa o que significa amar Jesus separando-se de si mesma, dando um novo sentido às ligações familiares, a partir da fé n’Ele. Que a sua materna intercessão, nos ajude a sermos livres e alegres missionários do Evangelho”. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

CNBB LANÇA PROPOSTA DE ATIVIDADE PARA O MÊS VOCACIONAL 2017


CNBB – Tradicionalmente durante o mês de agosto, a Igreja no Brasil convida os fiéis a refletirem sobre as vocações, é o chamado ‘mês vocacional’. Este ano, a atividade proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com a Pastoral Vocacional tem como tema “A exemplo de Maria, discípulos missionários” e o lema “Eis-me aqui, faça-se”. A iniciativa busca motivar a oração pelas vocações nas comunidades, paróquias e dioceses, além de conscientizar adolescentes e jovens ao chamado de servir a Igreja.
O arcebispo de Porto Alegre e presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados da CNBB, dom Jaime Spengler explica que a escolha da temática se deu por ‘Nossa Senhora ser exemplo de mulher de oração’. “A oração é também o pedido que Nosso Senhor faz aos discípulos quando vê o tamanho da messe sem o número suficiente de pastores, a messe é grande mas os operários são poucos”, explica.
Para ele, a intenção deste ano é justamente alertar para o número de vocações sacerdotais e religiosas no Brasil. “É pedir ao Senhor da messe que envie operários. A oração é o meio privilegiado para suplicar, pedir ao Senhor que envie esses operários que a Igreja tanto precisa. O nosso povo sedento de Deus, sedento de transcendência, sedento do Evangelho necessita de pastores, de pessoas capazes de anunciar essa palavra como fez Maria, isto seja no Ministério Ordenado, seja através da Vida Consagrada, seja através do anuncio catequético, nas diversas atividades do cotidiano e também no mundo leigo”, destacou.
O mês vocacional é também celebrado no contexto do Ano Nacional Mariano, proclamado pela CNBB, por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no Rio Paraíba do Sul. Por isso, a escolha da temática dedicada a Nossa Senhora também se fez presente. “A Igreja no Brasil realmente deseja neste mês de agosto de 2017 promover um grande mutirão e dentro das comemorações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida realmente suplicar ao céu que não falte operários para a vinha. Esperamos que muitos jovens do sexo feminino, do sexo masculino possam responder como fez Maria: Eis-me aqui, faça-se segundo a tua palavra”, finalizou.
Material de apoio
Para ajudar nas reflexões do mês vocacional, a Comissão para os Ministérios Ordenados e a presidência nacional da Pastoral Vocacional/SAV todo ano propõe subsídio, editado pela Edições CNBB. Dessa vez, o material oferece um tríduo de oração pelas vocações.
Segundo o coordenador nacional da Pastoral Vocacional, padre Elias Silva, a proposta é oferecer celebrações vocacionais em torno da Palavra, momentos onde a comunidade possa se alimentar da Palavra rezando pelas vocações. “É uma forma de rezar pelas vocações e com todos os vocacionais seja pela vida religiosa, consagrada e todas as outras formas”.
Dom Jaime explica que com o subsídio, a Pastoral Vocacional do Brasil deseja promover a partir da Sagrada Escritura uma abordagem particular em torno da temática das vocações. “Nós acreditamos que a Leitura Orante da Palavra é capaz de iluminar as buscas de todo ser humano e é a partir da Sagrada Escritura que nós podemos melhor compreender o que significa fazer a vontade de Deus, então foi preparado um pequeno subsídio para favorecer essa reflexão e essa oração também nas nossas comunidades, tendo sempre como pano de fundo a Sagrada Escritura, porque é a partir da Palavra que nós encontramos orientações seguras para as iniciativas da comunidade de fé”, destacou.
O material já está à venda no site da ‘Edições CNBB’.
Clique aqui e escute o hino do mês vocacional e baixe a partitura.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Jesus passou fazendo o bem

A Solenidade do Sagrado Coração de Jesus é de origem bastante recente na Liturgia. Sua festa foi estendida à Igreja universal por Pio IX, em 1856. Contudo, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, com comemorações locais e regionais, já provém de tempos mais remotos. São Bernardo e São Boaventura apresentam, em seus escritos, profundas considerações sobre o amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, sobretudo em sua sagrada Paixão. O realce dado à humanidade de Jesus Cristo fez brotar a devoção ao seu Coração sagrado, símbolo do amor de Deus transformado em amor humano. A devoção como tal tem início nos fins do século XIII e inícios do século XIV, sobretudo, em regiões da França e da Alemanha. Sua festa começou a ser celebrada a partir do século XVI, sobretudo na França.
Podemos nos perguntar: Afinal, qual o mistério de Cristo celebrado nesta solenidade? Diria que a Igreja celebra a Jesus Cristo, que passou por este mundo fazendo o bem (cf. At 10,38), o amor de Deus que se encarnou em Jesus Cristo. Por isso, não devemos concentrar-nos sobre um só fato ou uma só ação de Jesus Cristo. Será preciso recolher todas as manifestações de amor de Jesus Cristo.
Estes gestos de amor, as ações de Jesus repletas de amor e de misericórdia, simbolizados por seu Coração, podemos reconhecê-los na abundância de tex­tos bíblicos apresentados na solenidade do Sagrado Coração de Jesus no ciclo dos três anos.
No Ano A, temos o evangelho dos mistérios do Reino revelados aos pe­queninos, onde Jesus termina dizendo: “Vinde a mim todos vós, fatigados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre os ombros meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas. Pois meu jugo é suave e o meu peso é leve” (cf. Mt 11,28-30). A primeira leitura mostra como Deus ama a humanidade: “O Senhor vos escolheu e vos ama” (cf. Dt 7,6-11). Deus é amor e comunica esse amor à humanidade. Deus nos amou primeiro. Este amor de Deus para com a humanidade manifesta-se, sobretudo, em Ele ter enviado seu Filho a fim de que vivamos por Ele (cf. 2a leit., 1Jo 4,7-16).
No Ano B, este amor de Deus em Jesus Cristo é revelado pelo evangelho que narra como o lado de Cristo foi transpassado pela lança, jorrando sangue e água (cf. Jo 19,31-37). Amor que se manifesta até a morte e morte de cruz. Ele que dissera: “Quando for levantado da terra, atrairei todas as coisas a mim” (Jo 12,14). Amor até ao fim, até o extremo, até dar a vida por todos. Na pri­meira leitura, este amor de Deus para com a humanidade, manifestado em Cristo Jesus, é comparado com o amor de um pai, cujo coração se comove (cf. Os 11,1.3-4.8c-9). São Paulo nos diz que este amor de Cristo excede a todo o conhecimento (cf. 2a leit., Ef 3,8-12.14-19).
No Ano C, o amor de Jesus Cristo é apresentado sob a figura do bom pas­tor, que vai em busca da ovelha perdida e se alegra com seus amigos por tê-la encontrado (cf. Ev., Lc 15,3-7; cf. também la leit., Ez 34,11-16). É o pastor que dá a vida por suas ovelhas: “Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós” (cf. 2a leit., Rm 5,5-11).
Deus nos amou primeiro e manifestou esse seu amor enviando seu Filho ao mundo. O amor de Deus assumiu uma expressão humana. Jesus acolhe as pessoas, tem misericórdia, perdoa, liberta das enfermidades e dos espíritos maus, mata a fome das multidões famintas, garante sua presença na história dos seres humanos por sua Palavra, pelo envio do Espírito Santo para levar à plenitude a sua obra e por sua presença concretizada no testemunho de amor dos seus discípulos. Deixa uma maneira toda especial de continuar como sinal visível do seu amor no mundo pela presença eucarística.
Este amor de Deus manifestado em Cristo, que exige uma resposta de amor, é o mistério celebrado na solenidade do Sagrado Coração de Jesus.
Ela é, de certo modo, um desdobramento do mistério celebrado na Sex­ta-feira Santa. Colocada no início do Tempo comum, após o Ciclo pascal, convida toda a Igreja a atualizar o mistério pascal de Cristo pela vivência do amor, a exemplo do amor do próprio Cristo Jesus.

Bibliografia: “O ano litúrgico” (p.167-168).
fonte: www.itf.org.br

domingo, 18 de junho de 2017

32ª Semana do Migrante busca conquistar direitos para refugiados e migrantes no Brasil



De 18 a 25 de junho, a Igreja no Brasil celebra a 32ª Semana do Migrante, com o tema: “Migração, biomas e bem viver”. O objetivo da semana, segundo o bispo referencial da Pastoral dos Refugiados, dom José Luiz Ferreira Salles, é  anunciar, denunciar, refletir e construir uma nova relação do ser humano com a Mãe Terra.
A semana, inspirada pelo lema da Campanha da Fraternidade deste ano, propõe uma perspectiva de mudança de mentalidade e comportamento. “Queremos celebrar a vida que teimosamente não se deixa matar e nem aceita ser destruída por nenhuma força que se proclama dona de sua existência, porque acredita que o Deus Criador já venceu e já declarou sua vitória sobre a morte, o pecado e o mal”, disse o bispo.
A 32ª Semana do Migrante é articulada pelo Serviço Pastoral do Migrante (SPM), vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sempre fazendo uma relação com as campanhas da fraternidade em curso. O SPM elaborou vários materiais (texto base, roteiro de celebração, círculos bíblicos, entre outros) para subsidiar as comunidades e paróquias no aprofundamento da temática dos migrantes.
 Lei de Migração
Um tema central para o bispo referencial da Pastoral dos Refugiados, é a sanção da nova Lei de Migração, Lei 13.445/2017, publicada no Diário Oficial da União no dia 25 de maio. “O Brasil, até os dias atuais, ainda tinha uma legislação do tempo da ditadura para tratar dos procedimentos relativos à migração.  A sanção da lei causou um misto de alegria e frustração em meio aos que se mobilizaram em torno da sua aprovação”.
Segundo o bispo, 20 vetos foram feitos pelo presidente Michel Temer em relação ao texto aprovado pelo Congresso, ignorando as discussões ocorridas junto à sociedade civil e cedendo à pressão de setores mais conservadores do governo. Entre os vetos mais sentidos, para dom José Luiz, está o veto à anistia a migrantes indocumentados, a livre circulação de povos indígenas nas terras tradicionalmente ocupadas em regiões de fronteira. Saiba mais sobre a nova lei:
http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/05/25/nova-lei-de-migracao-e-sancionada-com-vetos.
Papel da Igreja
A migração, segundo o bispo, tem forte relação com a crise que  concentra as riquezas e exclui os trabalhadores do campo e da cidade. “Não é apenas uma crise humanitária, como sugere a mídia, mas uma exclusão em massa de milhões de seres humanos, anulando direitos e destruindo o planeta”, disse o bispo.
A semana buscará, por meio dos processos que realiza, lutar para o fim da dissolução das fronteiras e das barreiras identitárias, xenófobas, regionalistas e nacionalistas.  A Igreja, com sua missão evangelizadora, profética e missionária, atua em pelo menos três frentes quanto à migração.
Primeiro na acolhida – O que supõe receber e dar abrigo inicial, identificando as necessidades materiais e documentais, ajudando os migrantes a alcançar seus sonhos e direitos; Segundo, busca contribuir para o protagonismo dos migrantes, apontando caminhos de denúncia de injustiças, de viabilidades de integração social e de vivenciarem suas culturas e religiões; e por fim, procura construir processos com entidades e com os próprios migrantes/refugiados que lutam no mesmo sentido, na busca da justiça e dos direitos.
Agência da ONU para Refugiados (ACNUR)
A partir do próximo sábado (17 de junho), o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) e seus parceiros promovem uma extensa agenda de eventos em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro para celebrar o Dia Mundial do Refugiado – comemorado em todo o mundo no dia 20 de junho.  Feiras culturais, mostras de cinema, seminários e a divulgação do relatório “Tendências Globais – Deslocamentos Forçados em 2016” integram a programação nestas três cidades. Para mais informações, acessar: http://www.unhcr.org/withrefugees/

terça-feira, 13 de junho de 2017

Vaticano anuncia criação de site para promover a participação dos jovens na preparação do Sínodo

A CNBB recebeu correspondência assinada pelo Cardeal  Lorenzo Baldisseri, ex Núncio Apostólico no Brasil e atual secretário geral do Sínodo dos Bispos informando sobre o lançamento nesta quarta-feira, 14 de junho, de um siwebsite (http://youth.synod2018.va) destinado à preparação da 15ª. Assembleia Geral Ordinária do Sínodo com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.
Dom Baldisseri diz, na carta, que esta plataforma na internet deve promover uma ampla participação de todos os jovens. Com o website, os jovens receberão informações, e vão poder também interagir no caminho da preparação para o Sínodo. “Isto será possível, entre outras modalidades, através de um outro questionário online que se encontrará no site”, esclarece. As respostas deste último questionário que será disponibilizado na internet serão consideradas pela consulta que a Secretaria Geral do Sínodo está fazendo em toda a Igreja, no mundo inteiro.
O secretário geral do Sínodo pede ainda que as conferências espiscopais criem espaços de partilha de todas as iniciativas dos jovens em vista de preparação do Sínodo em nível paroquial, diocesano e nacional. Ele garante que os responsáveis pelo novo site estarão atentos a essas partilhas e deverão cuidar de leva-las ao conhecimento de outros jovens em outras partes do mundo. Nesta partilha, diz o secretário, podem ser enviados documentos, notícias, artigos, vídeos e fotos.
http://cnbb.net.br

Dom Pedro Casaldáliga, um pastor presente nas terras vermelhas do Mato Grosso


Quando Jesus disse, em Mateus 16, 18: “Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja” não apenas deu ao seu discípulo a missão de ser líder da Igreja que nascia sob a sua inspiração e exemplo, como também abriu passagem para um dos santos mais conhecidos da Igreja Católica, especialmente celebrado neste tempo de festas juninas.
Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, a mensagem central do santo, que foi seguidor e testemunha de Jesus, para os dias de hoje é tentar ser fiel, corresponder à graça do chamado. “Vemo-nos um pouco em São Pedro: somos desejosos de seguir Jesus, mas nem sempre somos fiéis. São Pedro percebe caminhos não previstos: descobre a presença do reino entre os que não eram do Povo Hebreu. É o sinal da comunhão dos irmãos”, disse.
Assim como o Pedro de Betsaida, escolhido por Jesus, para ser um pescador de homens, o bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), nascido Pere Casaldàliga i Pla em 16 de fevereiro de 1928, no município de Balsareny (província de Barcelona, na Espanha), tornou-se um pescador de “pés descalços sobre a terra vermelha” no Brasil.
Pedro Casaldáliga chegou a Mato Grosso em 1970 para atuar como o primeiro bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, função que ocupou até 2005. Já nos primeiros anos na região, ao lado de outros padres espanhóis, envolveu-se com a defesa de povos indígenas, ameaçados pela violência dos conflitos agrários e pela expansão dos latifúndios.
Sua história já foi representada nos palcos do teatro, na peça “Fica Pedro”, encenada pela Companhia Cena Onze de Teatro. Nas telas do cinema teve a sua vida retratada no filme “Descalço sobre a Terra Vermelha”, coproduzido pela TV Brasil com mais duas televisões públicas, a espanhola TVE e a catalã TVC e baseado no livro que leva o mesmo nome, de autoria de Francesc Escribano.
Ele já viu a Terra Indígena de Marãiwatsédése, razão maior de sua luta, ser reconhecida pela justiça brasileira e devolvida ao povo Xavante do Mato Grosso, em dezembro de 2012. O engajamento do bispo emérito lhe transformou em referência internacional na luta por direitos dos indígenas e direitos humanos.
“Nada prá si, tudo para os outros”Tendo sido o 2º bispo prelado de São Félix do Araguaia de 2005 a 2011, dom Leonardo Steiner pôde morar junto a dom Pedro no “Palácio episcopal” e conhecer como o bispo vive na radicalidade a opção pelos pobres: “Dom Pedro viveu e vive pobre. Literalmente pobre: nada para si, tudo para os outros”, disse. Por outro lado, o secretário-geral da CNBB destaca a sua riqueza espiritual e intelectual.
Dom Leonardo destaca ainda que dom Pedro foi um pastor presente. “As comunidades, as pessoas conheciam a dom Pedro pessoalmente. Visitava, na medida do possível, as famílias. Organizou a Prelazia com Equipes Pastorais; procurou preparar os leigos para assumirem a vida da comunidade; realizou anualmente a Assembleia da Prelazia, apesar das distâncias e dificuldades de comunicação. Esteve atento às necessidades dos posseiros, indígenas…”
Dos seus 89 anos, completados dia 16 de fevereiro, mais da metade foi dedicada à Igreja no Brasil, especialmente à luta dos povos indígenas no Mato Grosso. Esses são alguns dos fatos que marcam a trajetória do bispo emérito da prelazia de São Félix do Araguaia, distante 1.159 km de Cuiabá.
Natural da Catalunha, Espanha, o religioso ficou conhecido também por lutar contra a violência dos conflitos agrários, bem como por suas posições políticas. Além da atuação pastoral, Casaldáliga é conhecido pela produção literária, tanto de poesias quanto de manifestos, artigos, cartas circulares e obras com cunho político ou de temas ligados a espiritualidade, editadas e publicadas no Brasil e no exterior.
Com saúde debilitada, Casaldáliga vive atualmente sob os cuidados de religiosos numa comunidade na cidade de São Félix do Araguaia, cuja Prelazia hoje tem como titular dom Adriano Ciocca Vasino. Devido à idade avançada, Casaldáliga tem dificuldades para algumas atividades, como leitura, e não fala ao telefone há anos por causa dos problemas de audição.
Há dois anos, teve de se submeter a uma cirurgia após fraturar o fêmur em um acidente doméstico. A debilidade física, contudo, não impede que seu legado, como pastor em defesa dos direitos humanos e indígenas, continue a inspirar muita gente no Brasil e mundo afora.

fonte: cnbb.net.br